
Mesmo antes de chegar, parece que já estão à minha espera- homens. Só lhes vejo metade do corpo. Meio - corpo, meio - olhar acontece. Alternam -se : casa - sim, casa - não em ruas cinzentas vulcânicas com uma ou outra deprimente, outrora promissora loja dos chineses. Sabe tão bem não ser conhecida, passar por "estranheira"., no meu país e no resto. Eu acho que é porque aos "estranheiros" lhes é desculpada uma série de coisas: o cabelo despenteado; as sapatilhas com a borracha a descolar, a mochila com água bolachas e fruta , que a comida do hotel de 4 estrelas é cara como o fogo, estar neste e andar de autocarro e entrar num café e pedir um nestea de laranja e sentar - me a escrever como com alguém falasse.
Este sítio é apalhaçado: uma tira de vidro a toda a volta de um estrado de ripas de madeira. Nem se sabe muito bem por onde se entra... Há de tudo um pouco: cigarros, gomas, chocolates exibindo -se ao lado do cartaz dos gelados e formando uma barreira ente cliente e empregado que não sai daquele cubículo, servindo dois lados diferentes. Devem passar muitos "estranheiros" por aqui: ainda não fui notada. Respiro melhor do que na Ribeira. Será da paz que está lá longe? Arranjei outro motivo para explicar as pessoas o meu nomadismo - essa que tanta gente procura. Mas já volto a este assunto. Acabo de reparar que está gente a sair de um sítio que me parece uma igreja ( não era, depois de perguntar à servente de bar de vidro e madeira que me escalereceu ser uma farmácia). Se fosse igreja, certamente lá entraria Eu e as igrejas... eu e a paz. E assim retomo o tema. Assistem os homens deliciados uma sessão de "wrestling", enquanto tentam adivinhar o resultado de logo à noite do jogo com o Benfica. A mulher de um bate - lhe no vidro e mima qualquer coisa. Ele levanta -se e vai embora. Onde irão? Será que ela lhe vai azucrinar os miolos por ele estar ali e o trabalho em casa por fazer? Será que ele tem de tomar um remédio qualquer às catorze horas? Ou vão à festa do Santo Cristo a Ponta Delgada?
Não me enganm aqueles putos: desnorteados, de sapatilhas e boné sujos a desesperar por droga. Pra quê? Para se esquecerem que vivem no cinzento e na chuva, no círculo vicioso da ilha de onde não sairão? Não vale a pena. Do sem novidade, do parado do inoportuno não sairão!
Para que arranjam forma de olvidar a sua existência? Não vale a pena. Eternamente condenados no vício do círculo da ilha, no vício do círculo do consome e pede da droga. Veio - me pedir quarenta cêntimos um, enquanto telefonava. Desistiu da espera. Dizia que era para o "medicamento". Estou à espera do bus para me levar de volta para a minha suite lonely dreams. Confesso que já me está aborrecer Vila Franca com a sua beira mar degradada apresentando o ilhéu como recompensa e povoada dos ditos "condenados". Duas horas bastam para amar e desamar em Paz?