domingo, 7 de junho de 2015

Louvo os socalcos com bardos onde em linha se prendem os cachos de uvas doiradas.. as senhoras de avental e mãos nas ancas, brincalhonas e com a porta aberta dos frigoríficos que guardam tesouros em escabeche e em salmoura, que falam a cantar, ou cantam falando, alto. Inspiro e guardo dentro de mim o aroma a rosmaninho, a maias, a mimosas, a urze... e agradeço aos santos que do alto dos miradouros vão mudando as linhas do destino e recebem em troca promessas em cera, morteiradas em arraiais e bailaricos no verão. São as raízes... Mas também sou rio, um rio "d'oiro", e, por isso, "à proa de um navio", saio dos penedos e corro para o mar.