domingo, 14 de julho de 2013

Mucuhá

a múcua pendura - se nos braços do embondeiro. Vem o corvo, pousa, debica - a e faz : - Crá, Crá. a múcua salta e o homem nos braços a leva para vender. uma mulher passa e pergunta se há múcua para um sumo fazer. e o homem: - Há, há!

noite

nesta noite que eu não quero cedo aprisiono - me na gaiola de 65 de luz e sigo a rotina: o outro e não eu.

Cabinda

embondeiro,corvos,grades,petróleo, palmeiras de plástico, lixo, barulho, música, calendário, curriculum vitae, campo de futebol, prisão, quarto escuro, escola, marmita, mesa de plástico, Líbano, ginásio, noite cedo, amor, só.

sábado, 13 de julho de 2013

O belo do feio

Queria saltar essa grade que me separa do mar. O mar com vestígios de petróleo, latas de cerveja e garrafas de vidro. Seringas e cordas. Mas há de haver beleza por trás do lixo e encontrei uma conquilha. Vou guardá - la para levar comigo alguma recordação de beleza. Não está fácil descobrir beleza debaixo deste céu sempre cinzento, à frente desta água lixada, dentro desta solidão, onde não tenho espaço para ser eu.