segunda-feira, 25 de março de 2013
Reza, rápido!
Eram seis horas e trinta da tarde.
O que estava em cima da mesa da cozinha, grande com uma fruteira, restos de sobremesa, receitas para aviar na farmácia, um pedaço de pão seco, uma panela com algumas sobras do almoço, jornaizinhos "Avé Maria", sujos de tanta leitura, análise, devoção, era arredado. Acendiam - se velas e os santos figurados em papel libertavam -se de um saco de pano. Algumas dessas imagens foram trazidas por familiares que tinham participado nas festas em honra desse santo. Mas o mais natural era terem chegado por correio.
Edite e Claudina, irmãs, tinham ficado juntas pela força da solidão de uma viuvez e da morte dos outros irmãos e pais. Só restavam elas as duas. Já não trabalhavam. Estavam tolhidas e movimentavam -se com muita dificuldade. Precisavam da sobrinha para lhes fazer as compras, dar - lhes banho, levá - las ao médico.
- Onde estão as pagelas, que não as encontro, Edite?
- Carago, raios partam, sei lá onde estão os santos! Ve lá se estão ao pé do armário , ao pé da garrafa de Frisumo.
- Já vi, não estão.
" Diretamente do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, vamos dar início á oração do terço"
- Vês? Já vai começar e ainda tenho de pôr os santos em cima da mesa. Oh, valha me Deus!
- Estão aqui, carago. Sempre a mesma coisa!Não há sossego nesta casa!
- Faltam as velas; quero queimar aquela benzida e estas duas. Chega - me o isqueiro.
- Põe - te para aí a acender as velas que ainda te queimas! Todos os dias a mesma consumição! Raios te partam!
- Avé Maria, cheia de Graça ...
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