sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Troca de correspondência por altura do 26 de julho

É mais fácil para o ser humano ver as diferenças físicas e reconhecê-las e sentir piedade por elas, até, do que as diferenças individuais dentro da própria cultura. O relativismo cultural não choca os homens: ele é assim porque é africano; ele é assim porque é português. Facilmente justificamos com estes motivos. Quando a diferença ultrapassa este relativismo, o homem desorienta-se e quase sempre é seduzido pela sua visão e explicação individual e subjetiva. Quase nunca nada justifica dentro de determinada cultura, à qual eu pertenço, o que alguém semelhante a mim, culturalmente, faz. Mas esquecemo-nos de duas coisas: a cultura é um processo e não um fim em si mesmo e que cada ser humano é elemento individual e idiossincrático. Como somos todos portadores de uma cultura, estamos sempre em evolução; e nos vários contactos que vamos tendo uns com os outros, nos vamos moldando e adulterando uma "virgindade" cultural que não temos.

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